PERFIL MÊS: Dr. Sung Ho Joo

Otorrinolaringologista no Hospital das Clínicas


23/11/2016

O coreano Sung Ho Joo, nascido em 13 de julho de 1957 em Seul, Coréia do Sul tem uma história de vida muito interessante. Seu pai, temendo o início da Guerra do Vietnã em 1965 e o recrutamento de soldados coreanos para se aliarem e lutarem ao lado dos EUA, decidiu largar a Coréia de Sul para partir as terras mais pacíficas brasileiras. Já tinha perdido três filhos na guerra e o quarto, que era o mais velho, estava sendo convocado. “A escolha foi acertada, já que muitos homens na idade militar foram recrutados e pereceram durante a guerra. Dizem que morreram mais soldados coreanos que americanos nesta guerra”, conta Dr. Sung.

A adaptação não foi fácil para a família de quatro irmãos. Barreiras diversas como cultura e língua foram provações difíceis para Dr. Sung e sua família. Tendo consciência de que precisava estudar muito para retomar o ensino, dedicou-se à escola, mesmo sabendo que teria uma infância e adolescência difíceis. “O calor do povo brasileiro foi o diferencial, então mesmo com a adaptação custosa, foi um processo de aprendizado muito gratificante”, relata o médico.

A ideia de cursar Medicina veio logo cedo, aos 13 anos de idade. Então, o estudo de adaptação tornou-se a maneira de conquistar seu sonho profissional. Quando ingressou na Faculdade de Medicina da USP, Sung acreditava que se especializaria em Ginecologia e Obstetrícia graças a familiaridade que possuía com partos e cesáreas no Hospital Pérola Byington, onde fazia estágio. Porém a ideia de realizar diversas cirurgias como microcirurgias até procedimentos grandes e complexos o levaram diretamente para a Otorrinolaringologia.

Crescendo no Hospital das Clínicas e após seu período de residência, partiu para outro estágio de Fellowship na University Hospitals of Cleveland, em 1987. Depois, no Congresso da Academia Americana em Chicago, encontrou o Prof. Dr. Ricardo Bento e o Prof. Dr. Aroldo Miniti. Esse último, perguntou ao otorrinolaringologista se tinha planos para retornar ao Brasil e ofereceu-lhe  o a vaga de Preceptoria na Clínica ORL.

 

De volta ao Brasil

Com vontade aplicar a experiência adquirida no exterior dentro da Clinica ORL do HC como cirurgias de câncer de laringe, Dr. Sung aceitou a oferta. Novas cirurgias foram abordadas dando o estímulo necessário para originar um grupo de Laringe e Tireoplastias (com a vinda do Prof. Dr. Nobuhiko Isshiki de Kyoto ao Brasil) junto com outros profissionais e amigos da Clínica como Dr. José Renato, Dr. João Ruocco, Dr. Gilberto Formigoni, Dra. Marcia Fernandes e com apoio do Dr. Lenhitu Missaka.

Após um tempo no Brasil, Dr. Sung foi até o Japão como visiting professor para continuar estudando, dessa vez na Clínica do Prof. Minoru Hirano, da Kurume University, maior autoridade em voz mundial. De volta ao Brasil, iniciou o doutorado sob a orientação do Prof. Dr. Aroldo Miniti. Por conta de seu tema ser tão recente (Avaliação da Função Velo-Faríngea após Uvulopalatofaringoplastia) em 1990 e pela falta de artigos científicos publicados ao redor do mundo e dificuldade de reunir os exames e dados, Dr. Sung quase jubilou no doutorado de prazo de oito anos.

O otorrinolaringologista sempre teve grande preferência pela técnica cirúrgica, sendo a pesquisa científica o lado menos produtiva. “Permanecer na Clínica ORL do HC da FMUSP me dá muita honra e prazer como profissional nascido desta Instituição. Hoje, sob a administração impressionante do  Prof. Dr. Ricardo Bento, vi esta clínica crescer e confirmar sua posição de liderança no cenário nacional e internacional e ter criado a Fundação Otorrinolaringologia que hoje dispensa elogios’, diz, com orgulho, Dr. Sung.

Ele destaca que desde 1986, quando realizou a primeira cirurgia UPFP (Uvulopalatofaringoplastia) do Brasil, reconhece o desenvolvimento das técnicas cirúrgicas e equipamentos disponíveis da área de Apnéia Obstrutiva, mas lembra que ainda há muita evolução no caminho como as pesquisas de padrões respiratórios de pacientes, estudo da tensão da musculatura faríngea durante o sono, participação da hipofaringe, epiglote e etc.

“Todas grandes áreas da ORL tiveram grandes avanços, particularmente na otologia com Implantes Cocleares, cirurgias endoscópicas naso-sinusais, que, hoje, felizmente tornaram se em rotina. Também está se definindo a descoberta de um “trigger point” no nariz que provoca cefaleia fronto-maxilo-facial e que está o chamando de “Cefaléia Neuro-Rinogênica”, diz ele.

Para o Dr. Sung, a medicina proporciona muitas descoberta, alegrias e realizações. “Mas quando estou fora do Hospital, alguns têm atividades de lazer, esportivas ou de descanso. Porém desde 2005, venho atuando em uma área muito interessante que é política-diplomática do Governo da Coréia do Sul para o Brasil e América Latina como Presidente do Conselho Consultivo. Até este momento, consegui conciliar estas atividades com a da Medicina e espero continuar até quando possível, pois não são mutuamente exclusivas. O meu objetivo é que ambos os países possam crescer apoiando um no outro para transferência de tecnologias e de produtos essenciais que o Brasil possui e resultar num intercâmbio positivo entre os países. E tenho total apoio da minha família, incluindo minha esposa, Eun, com quem casei e há 25 anos e dos meus três filhos, que amo de paixão”, explica Dr. Sung sobre a sua vida.

 

Fundação Otorrinolaringologia

Membro da Fundação Otorrinolaringologia desde o início, Dr. Sung parabeniza a todos que participam dela: “a Fundação ORL está mais sólida que nunca e novos membros têm realizado um grande trabalho de dar continuidade a esse trabalho iniciado pelo saudoso Prof. Dr. Aroldo Miniti junto com Prof. Dr. Ricardo Bento. Todos os presidentes auxiliam a  Fundação a se tornar, na realidade, esta grande Instituição! Parabéns!!!”, finaliza.