PERFIL MÊS: PROF. DR. LUIZ UBIRAJARA SENNES

Prof. Dr. Luiz Ubirajara Sennes é professor da FMUSP, atua em laringologia, ronco e apneia do sono, cirurgia nasossinusal, crâniomaxilofacial e da base anterior do crânio e preside há anos a Fundação Otorrinolaringologia


04/10/2012

Ainda garoto Luiz Ubirajara Sennes descobriu afinidade pelos assuntos da área biológica. Daí a escolher medicina como profissão foi questão de tempo. "Fiz o curso de Medicina na FMUSP e, a partir do segundo ano, passei a trabalhar em uma equipe de cirurgia (cirurgia do aparelho digestivo e cirurgia de cabeça e pescoço). No quinto ano, descobri a otorrinolaringologia e passei a me interessar por ela, por ser uma especialidade clínico-cirúrgica. Via as possibilidades de ter atividade em consultório com muitos procedimentos e uma área cirúrgica bastante ampla, desde procedimentos pequenos e restritos até cirurgias de grande porte, com interface com outras especialidades, como neurocirurgia, cabeça e pescoço, cirurgia do tórax e plástica", diz ele.

A residência também aconteceu na FMUSP. "Quando terminei o segundo ano, fui convidado a ser preceptor. No ano seguinte, fiz especialização na Universidade Pittsburgh (EUA), especialmente no tratamento dos tumores das vias aéreas superiores e da base do crânio. Ao voltar, fui contratado pelo HC e ingressei no doutorado, que defendi em 1997. No ano seguinte fui contratado como professor da FMUSP e, em 2001, defendi minha livre-docência", lembra o professor.

Dias intensos
Os dias começam cedo para o Prof. Bira. "Mantenho uma rotina de oito horas dedicadas a minha profissão, mas os horários são variáveis dentro da medicina e, às vezes, passam muito disso. Na Faculdade, dou aula para os alunos do 3º e 5º ano de graduação. Coordeno o Programa de Pós-Graduação em Otorrinolaringologia que é a principal fonte de produção científica da Otorrino USP. Preciso me vigiar para não ultrapassar o horário porque, embora as atividades de consultório e cirurgia possa ter um fim, sempre há um novo relatório, um artigo para corrigir, a pesquisa de um aluno para discutir e eu acabo me envolvendo. Tento restringir minhas atividades profissionais, pois facilmente elas poderiam ocupar 100% do meu tempo", comenta Prof. Ubirajara.

E, mesmo assim, participa de congressos e se envolve com as novidades científicas que acontecem em todo o mundo. "Mudou muito a ORL de quando comecei para cá. Na minha área, o maior desenvolvimento aconteceu na cirurgia endoscópica, que permitiu tratar inúmeras doenças inflamatórias e tumorais da laringe, nariz e seios da face com cirurgias pouco invasivas e com menor desconforto para o paciente. Mais revolucionário, ainda, foi o avanço da cirurgia endoscópica endonasal para a ressecção de tumores da base do crânio", continua ele.

Fundação Otorrinolaringologia
Presidente da Fundação Otorrinolaringologia há anos, Prof. Dr. Luiz Ubirajara Sennes sente-se orgulhoso por presidi-la. "É um órgão realizador, sem arestas e reconhecido em nosso meio. É uma entidade privada sem fins lucrativos, de apoio ao ensino, pesquisa e atividades de assistência à população que valoriza a integração com outras profissões que atuam na mesma área. Diferente das associações de classe, a FO não é uma entidade política, nem atua na defesa profissional do otorrinolaringologista. Os recursos que obtém em suas atividades só podem ser aplicados em suas finalidades, sendo rigorosamente controlada pelo ministério público. Representa, dessa maneira, uma opção de incentivo ao desenvolvimento das várias entidades de ensino e pesquisa sem fins lucrativos, que dependem dos escassos e limitados recursos repassados pelo governo", diz ele.

Segundo o professor e presidente, tanto a diretoria como os conselheiros exercem uma atividade voluntária, não remunerada. "A infraestrutura operacional da FO é muito profissionalizada, possui funcionários contratados e capacitados para desenvolver todas as atividades que se propõe. O seu crescimento está na expansão de seu apoio não só às instituições filiadas, como às pessoas individualmente. Em geral, quem está próximo às filiadas já tem muitas facilidades. Queremos atingir quem está mais distante e isolado. Isso foi iniciado com a criação do membro benemérito que, embora contribua com pequeno valor, passa a ter acesso a facilidades nos projetos de ensino e pesquisa", explica.

E a vida pessoal? Com tantas atividades, há algum momento descontraído em sua semana? "Sempre que posso vou à praia velejar. Gosto muito. Aliás, mais do que isso, gosto de viver no mar, dormir, acordar, nadar, mergulhar. No inverno, junto com minha família, fazemos caminhadas, subimos montanhas, descobrimos algo novo. Felizmente, minha família também curte. Um final de semana sem rotina, de improviso, que deixe sua marca é essencial. Não importa se alguma coisa deu errado, motor quebrou, uma tempestade causou desconforto, frio, etc. O que importa é ter histórias para contar e sentir a vida passar. Só com trabalho, a vida passa muito rápida e nem sentimos. Minha família compartilha desse mesmo espírito e essas atividades proporcionam um convívio intenso, de parceria, união e cumplicidade", finaliza Prof. Dr. Luiz Ubirajara Sennes.