PERFIL MÊS: Bruna Lins Porto

Fonoaudióloga do Grupo de Implante Coclear Hc-Fmusp


29/07/2016

Bruna Lins Porto, fonoaudióloga do Grupo de Implante Coclear HC-FMUSP, nasceu dia 29 de janeiro de 1.988, em São Caetano do Sul, filha caçula do casal Auxiliadora Maria e Ailton Lins Porto. “Cresci em São Caetano do Sul também, junto com minhas irmãs Vanessa e Élide e lá brincava muito na rua com as minhas irmãs, primas e crianças que moravam na vizinhança. Foi uma infância típica de interior, com brincadeiras de taco, esconde-esconde, patins, futebol e andava de bicicleta. E toda a agitação da infância, diminuiu muito na adolescência”, diz ela.

O colégio que estudava, Quarup – atualmente é o Arbos –, valorizava bastante a cultura e além das aulas do currículo escolar, Bruna teve aulas de artes e teatro. “Nessa época, ficava bastante em dúvida sobre qual profissão escolher. Fiz, inclusive, orientação profissional e a fonoaudiologia nunca havia sido indicada. Certo dia, uma amiga falou sobre essa opção por acreditar que eu tinha o perfil. Fui atrás e lembrei que o meu pai comentava que fazia audiometria na empresa. Também tinha feito terapia fonoaudiológica quando era mais nova devido a uma alteração na motricidade orofacial. Prestei USP assim que me formei e fui aprovada, ingressando em Fonoaudiologia, em 2006”, continua Bruna.

Conforme passavam os semestres da faculdade, Bruna percebeu que todas as matérias sobre audiologia, a motivavam e despertavam seu interesse de maneira especial. “No último ano, praticamente todos os estágios práticos eram relacionados a audiologia. Em uma das visitas, fomos ao serviço Reouvir e também ao Grupo de Implante Coclear. Fiquei maravilhada com a tecnologia do implante coclear e tão logo todos os meus sonhos e planos de futuro se encontraram diretamente relacionados com essa área”, conta ela.

Ao fim da graduação, quando inscrições para cursos de aprimoramento em implantes cocleares foram finalmente abertos, Bruna inscreveu-se imediatamente. “Houve um processo seletivo e passei assim que terminei a faculdade em 2010. Fiz um ano de aprimoramento e, em seguida, passei no Fellowship de implante coclear, permanecendo na função de pós-graduanda”, continua Bruna.

 

Congressos e mestrado

Com planos para iniciar seu mestrado, Bruna atualmente apresenta trabalhos acadêmicos em congressos de fonoaudiologia. As partes favoritas do exercício de sua profissão são as ativações e a recuperação dos implantados. “Eu me emociono com o poder do ser humano de se adaptar, se recuperar e se superar”. E isso se encaixa para tanto nós profissionais que estamos sempre em busca do melhor para o nosso público e aprendendo a cada dia, quanto para os pacientes e suas famílias que acreditam e confiam no nosso trabalho, permitindo e buscando nossas condutas e intervenções, diz ela.

Entre as boas lembranças, houve um momento, em especial, que a emocionou muito. “Teve uma ativação de implante coclear em específico que me marcou demais. Sempre tento conter a minha emoção, mas nesse dia foi praticamente impossível. Foi à ativação de uma paciente adolescente que teve uma surdez progressiva desde a infância e já não lembrava mais a voz dos pais e nunca havia ouvido a voz do namorado que estava na ativação. Ao ligar o implante, ela caiu no choro e pediu para que todos falassem com ela. Então, ela começou a lembrar de tudo e ficou extremamente feliz de ouvir o namorado chamá-la pela primeira vez”, lembra a fonoaudióloga.

Atualmente, Bruna atende no ambulatório do Hospital das Clínicas e na Casa do Ouvir. No HC, faz avaliações e programações de implante coclear. Já na Casa do Ouvir, há sempre palestras temáticas semanais oferecidas aos pacientes implantados, familiares e profissionais do ramo. Também orienta famílias de crianças que começam no serviço, além de atendar casos individuais que precisam de orientações específicas.

 

Implante coclear e vida familiar

Bruna tem interesse cada vez maior no implante coclear. E acompanha tudo de perto: “O que tem me empolgado mais são as questões de referentes ao aconselhamento e orientação das famílias de candidatos e usuários de implante coclear. Vemos que uma boa adequação do ambiente, o apoio e a estimulação que as pessoas que cercam esses pacientes dão a eles são decisivos e essenciais para o sucesso de todo o tratamento”, diz.

Mamãe de primeira viagem, Bruna divide a vida profissional com a atenção dedicada ao seu filho Bernardo. Ela mora com seus pais muito prestativos com ela e o netinho o que facilita bastante a conciliação da vida pessoal com a correria da profissão. “Minha rotina é dividida entre o trabalho e cuidar do Bernardo, basicamente. Tento ficar o máximo possível com ele nesse momento que sabemos que é crucial para toda a vida e é uma delicia também! Sou privilegiada por poder passar um bom tempo com meu filhinho. E, como lazer, assisto a séries e filmes”, diz. E depois que Bernardo dorme, a fonoaudióloga dedica tempo para estudar e concluir trabalhos.

Além de todo o trabalho no HC, Bruna se dedica à Fundação Otorrinolaringologia. “O trabalho da FORL é de excelência em todos os quesitos. Desde os profissionais supercapacitados até os cursos e congressos bem elaborados e atualizados. Trabalhar nesse grupo significa correr sempre atrás dos melhores resultados para nós mesmos, para os pacientes e para a ciência”, afirma.

E com o sucesso do Grupo de Implante Coclear em 2015, ela crê que ainda há muito espaço de crescimento para 2016. “Esse ano tem sido de grande crescimento e o desenvolvimento do trabalho na Casa do Ouvir, que é o de orientação aos usuários e candidatos ao implante coclear, suas famílias e aos profissionais que se relacionam com eles, só tende a crescer. Inclusive, os cursos para profissionais do setor. Esse ano teve o primeiro voltado às psicólogas que querem trabalhar com implantados. E o de pais! E, depois, a comemoração das 1.500 cirurgias de implante. Um ano para não ser esquecido!”, finaliza Bruna.